terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Travessia



Dizem algumas irmãs minhas ser banzo, essa dor de existir em um lugar e nada seu estar nele.
Uma dor que vem de um lugar tão escondido e doi como uma ferida eXposta, inflamada, parece que nada aqui é meu, só o corpo que é minha casa e a dor, essa ferida aberta que não se vê. E é motivo de riso pra tantos, muitos iguais a mim, se riem dela, e se afogam na euforia, sentindo a dor, pensando ser alegria e se perdem pelas ruas que não reconhcem as chamando de lar, o banzo mata mais que o chicote e tronco.
O banzo nos mata sem que o corpo descanse e a alma fica presa nele, nesse corpo morto, sem poder ir de volta ao seu verdadeiro lar do outro lado da calunga grande, o mar. Do outro lado dele é a casa da minha alma

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Despedida

Já perdi as contas à tempos das inúmeras cartas de despedida, que escrevi pra mim mesma, de dor por me ver só e sem sentido e esperança, ou apenas aquelas "fúteis"marcando o fim de mais um grande amor não concretizado; Parece hoje bobagem, mas ao escreve las, muitas vezes com a voz embargada e aquele aperto, a dor física que só a tristeza e desilusão sabe provocar, me parecia o fim pra mim, fim de algo que em algum momento acreditei, que seria até o fim.
Hoje apenas escrevo, pois assim compreendo, que com o tempo o frio na barriga o ciume e a dor de não ser, se vão e fica apenas o esquecimento, por vezes uma leve lembrança daquela história, mais uma que não foi ao fim, caminho e a busca por algo incompreensível ao meu pensamento prático, mas tão próximo de minha vontade continua, intacta.
Desistir de mim é apenas da boca pra fora, então a busca de reconhecer em um outro, em seus olhos o que vejo tão facilmente no espelho, mesmo com os olhos fechados é essencial sobre quem sou, portanto não é possível a desistência, mesmo diante do abismo e da desesperança do por vir, amar é  parte primordial da minha existência.   

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Lagrima de Laura









Preciso parir uma lágrima, de Laura a avó mulher forte que nunca vi chorar, penso que chorar é como desrespeitar cada cicatriz, é como se as feridas abertas temperadas com sal, que tiveram minhas ancestrais, que aguentaram a dor do estupro, de ver seus filhos e companheiros vendidos ou mortos sem derramar uma lágrima, chorar é desrespeita isso no meu inconsciente, agora consciente.
Engolir o choro se tornou a forma de não sentir, de sobreviver a isso, se não engolissem o choro, não teriam sobrevivido e eu não estaria aqui, contando essa história agora, não existe essa mulher forte em mim eu simplesmente reproduzo a força que vi e vejo nelas, não sentir foi resistência e ainda preciso resistir por que a chibata ainda me ataca e por vezes ainda preciso não sentir.

Não quero mais ter que ser forte. Só quero chorar, sem ter medo que esse choro custe a vida de muitos além da minha própria. quanta responsabilidade carrega a lágrima de uma mulher negra, minha lágrima pode se tornar  um rio, de todos os choros que as que vieram antes de mim engoliram e engoliram até parecer que não sentiam mais nada, mas a dor, essa sempre esteve aqui, preciso reaprender a senti la pra louvar a memória delas. Aprender a sentir de novo, uma estória de sentimentos interrompida. Está no meu (odu) caminho aprender a amar, e me deixar cuidar e ser amada e quem sabe ai conseguir chorar outra vez.       



terça-feira, 28 de novembro de 2017

Sobre você

Tem uma marca tão profunda de tristeza, que a força que tem que ser feita para que ela não destrua tudo, deixa pouca força pra ser lutar pela felicidade.

sábado, 14 de outubro de 2017

Expectativas

Quando a vontade ultrapassa obstáculos, e a fome é tão grande que só o teu alimentos é capaz de saciar.

Um sensação ou esperança de que dessa vez:
A voz vai ser calmante
 O colo chegada
O Abraço porto
O falo água
O gozo encontro

Seja como for já vale essa vontade, o sangue pulsando de esperança
e medo
e esperança
Uma espera que alimenta o coração e faz o corpo querer tudo.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Não é pra mim. ( O não lugar)

Não sei descansar, ou ficar de papo pro ar esperando a noite chegar..
Não sei amar passiva esperando o outro lado vir me buscar. Nem entrar no lugar de cabeça baixa para os olhares não cruzar..
Não sei ser morna, mais ou menos tenho dificuldade em esperar e respirar e deixar a raiva passar.
Nada aqui é meu.
Nada é feito pra mim.
Na maioria dos olhos sou feia, fera, desqualificada,  triste, suja.
Não me define também, não é meu lugar nem pertence.
Todos os meus pensamentos são práticos e ao mesmo tempo confusos. Como diz Cartola "preciso me encontrar"


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Gosto

Gosto de ir fundo mergulhar. Eu gosto assim quando o coração e corpo pedem e a mente não tem tempo de racionalizar de procurar senões. Gosto assim sem analizar riscos por ques. Gosto do risco da reciproca de afeto gritado, berrado, boca suja, desejo puro, desejo é lindo com romance alvoroço urgência, brincadeira a qualquer hora. É eu gosto assim.